Dias de Fúria e lamúrias

É chegada a hora, de mudanças, decisões, imposições, controle, força, olhar e sentir, sentir que está tudo desmoronando, se não sobre mim, sobre as favelas, em Angra, Haiti e em tantos outros lugares, mas acima de tudo é chegada a hora de resistir. É difícil enxergar que estamos vivemos um dos momentos mais caoticos, onde tudo acontece ao mesmo tempo, sem previsões e injustamente, pior seria falar de justiça, pois essa creio que não exista, não se ofendam com o meu "pessimismo", pois ele é somente meu e não o divido com mais ninguém, também não se ofendam com a minha "individualidade", é claro que é algo meu, somente meu e de mais ninguém...Isso é para mostrar o quao solidária sou para com os meus "semelhantes". Estamos vivendo verdadeiros dias de fúria. Todo esse desapego natural e humano, me parece uma canção triste, uma canção onde sentimos vontade de lutar por tudo o que acreditamos, tudo o que desejamos ter em nossas vidas, mas onde a raiva é imconpativel diante da bondade e da força, nos tornando inertes. Nos tornando verdadeiras estátuas vivas, onde observar é a única coisa que podemos fazer sem nos ferir, mas é aí que está o engano maior, pois é esse olhar inerte diante de tudo, que nos fere mais que navalha na carne, ou para quem já se feriu com papel, corte de papel, aquele corte fino que faz com que a dor seja insurpotável, não faz um corte profundo mas é como se adentrasse o corpo enfiando centenas de agulhas minímas, é como se perdessemos o olho esquerdo, alertando para o direito e assim sucessivamente até que todos os orgãos tornem-se falhos diante das necessidades humanas. Penso que se é para ferir, que seja feridas de luta, resistência e progresso, há quem me entenda. Estamos passando por momentos críticos onde a individualidade não tem vez, será esse o momento de mostar que somos de fato "seres humanos"? Será esta a hora de esquecer por alguns momentos que temos um umbigo, um único umbigo no mundo, e ampliar um gesto, um abraço, um socorro? Instalou-se em mim, uma tristeza insurpotável, sem controle. Choro por tudo, até vendo um pacote de bolacha sendo aberto. Isso é insuportável, chorei rios até perceber que estou triste com as pessoas, com o mundo e com o universo, também estou triste comigo pois mantive meu corpo aberto para esses sentimentos, para que eles se intalassem em mim e dominasse as coisas boas que eu mantinha guardada para um "grande dia". Não idealizo uma mudança repentina no mundo, só espero resgatar minha verdade interior e a essência que sempre tentei manter ligada ao meu caráter e espírito. Para muitos palavras assim tendem a mostrar fraqueza e individualidade, mas como posso seguir adiante sem acreditar que sou quem sou, sem ter a certeza de que essa aqui sou eu realmente, tudo que quero é olhar sem me machucar e agir sempre que possível. Quero salvar a mim mesma desse buraco onde me enfiei antes de tudo.

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